12.3.07

all-in

Pôquer não é nem magia nem matemática: é acaso e vontade. Acaso na distribuição das cartas, vontade na hora de dobrar e redobrar as apostas. Alguns celebram supostas núpcias entre a vontade e a sorte, outros calculam minuciosamente as probabilidades; mas o mundo mágico-religioso e o mundo racional são avatares do niilismo: ambos pretendem fechar o Aberto, prever o imprevisível, controlar o devir, dividir o acaso em probabilidades de ganho e de perda. Esperança pueril, já que as cartas mais baixas podem ser mais altas do que as mais altas, e as mais altas, mais baixas do que as mais baixas. Não há como saber de antemão. Há que pagar para ver: flop, turn, river. Certamente não é um jogo para almas tímidas, e tampouco para os que são apegados ao dinheiro. Nem uns nem outros jamais entenderão o pôquer - e muito menos a própria vida. O pôquer é para os que esgrimem rimas, escalam montanhas, enfrentam as ondas. A vida também.

3 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

... enfrentar corredeiras,
despencar em cataratas,
para, talvez, encontrar ( ou reencontrar) o caminho da planície

12 de março de 2007 18:55  
Blogger Francisco Fuchs disse...

Sim, Sada (é você, não?), reencontrar a planície e ficar lá, com as corredeiras dentro si. =)

12 de março de 2007 19:03  
Anonymous Anônimo disse...

neste exato momento elas já estão..
e eu te agradeço por elas.
Sada

12 de março de 2007 19:51  

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