quem sou eu?
Quem faz a pergunta "quem sou eu?" em busca de um significado qualquer já está derrotado de antemão. Não existe resposta a essa pergunta senão no terreno da ficção, do embuste, da má-fé. Partimos como orgulhosos guerreiros em busca do autoconhecimento e terminamos como Narciso, contemplando uma imagem, uma simples imagem, e não é por acaso que terminamos nos afogando nela. A quem nos pergunta "quem é você?" devemos responder: "eu sou minhas forças, minhas idéias, meus afetos, e sobretudo os investimentos concretos de tudo isso num campo social não menos concreto (desejo). Tudo isso muda e se reconfigura o tempo inteiro e portanto não pode ser encerrado numa imagem ou numa definição." É claro que, se não tivermos paciência suficiente, poderemos responder: "eu sou um cheiro de cravo nos cabelos da noite", ou então "eu sou a trigésima quinta nervura na asa esquerda daquela mosca que acaba de morrer".
Nós sempre teremos os problemas que merecemos de acordo com os nossos investimentos de desejo num campo social (por meio dos quais produzimos a nós mesmos e aos demais). É por isso que eu creio que o conceito de autopoiese é bem mais decisivo do que o de autoconhecimento. No limite, não há nada a conhecer, tudo está por ser produzido.
Nós sempre teremos os problemas que merecemos de acordo com os nossos investimentos de desejo num campo social (por meio dos quais produzimos a nós mesmos e aos demais). É por isso que eu creio que o conceito de autopoiese é bem mais decisivo do que o de autoconhecimento. No limite, não há nada a conhecer, tudo está por ser produzido.
10 Comentários:
to de casa nova. passa lá com o seu crivo. bjs
:P
concordo, 'quem sou' não se diz! Afinal, somos dinâmicos, penso q apesar do gerúndio ainda ficaria menos ruim se dissesse 'estou sendo',rs
bjo
ai, ai, Francisco, não deu para segurar eu levei lá para o Privilégios :-)))
beijo
Chico!
Não posso deixar de registrar minha passagem por aqui.
Estou positiva e literalmente encantada com os conteúdos que estás disponibilizando neste espaço. Já lancei nos meus favoritos e vou dar uma espiada todo santo dia. Sou grata por isso, por poder ler coisas assim, quando a gente mergulha num mundo que se afoga em arquivos pré-formatados e no prêt-à-penser nosso de cada dia que nos dão hoje.
Abraço!
Maristela
Ah, Maristela, que alegria vê-la aqui!
Quando puder, faça uma pesquisa (aqui mesmo no blogue) com a expressão "a cultura e a morte". Os textos que você encontrará não passam de notas esparsas, precipitadas no calor da hora, mas que são como que o embrião do ensaio que estou escrevendo.
Um forte abraço deste seu amigo!
Chico,
Estou encantada com a pesquisa que fiz sobre "a cultura e a morte". Acho que vou me atrever a selecionar e remeter para ti algumas passagens de Gabriel Tarde que me parecem afinadas com este tema. Uma faz parte da Criminalidade Comparada e outra está em A Opinião e a Multidão. Vou tratar disso neste final de semana.
Grande abraço!
Maristela
Recebi seu email hoje, Maristela, e só não pude responder imediatamente porque estava saindo para o trabalho.
Adorei o trecho que você me mandou. Há uma relação evidente entre ele e uma passagem de Les Lois Sociales, que por sinal estou me animando a traduzir!
Hoje mesmo respondo seu email.
Forte abraço!
Pois é, Chico. Como eu disse lá no meu blog, não dá pra tentar limitar, conter, controlar aquilo que em si é múltiplo, transbordante: o ser. Neste fim de semana me chamou a atenção na livraria um livro que começava exatamente com essa questão. Queria dar uma lida pra ver como o autor (de cujo nome agora não me recordo) abordava o assunto, mas não deu...
Beijo.
Siomara
Olá, Siomara!
Pois é, gostei bastante do que você escreveu.
Caso leia o tal livro, não deixe de me fazer uma resenha...
Beijo!
Pode deixar!
Beijo.
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