23.10.14

A desconstrução de Sandra Starling

Pesquisador que se preze usa, preferencialmente e tanto quanto possível, fontes primárias. Seja em bibliotecas ou na Internet, e seja qual for o tema da pesquisa, as fontes primárias são simplesmente insubstituíveis.

Vejamos um exemplo (fresquinho) do que pode acontecer quando usamos uma fonte secundária. Ontem, Sandra Starling, uma das fundadoras do PT, anunciou seu voto em Aécio Neves. Segundo a revista ISTO É, ela teria dito: “Votar em Dilma seria exercer o direito de ser idiota”.

Só que, a julgar pelo texto publicado no Diário do Poder, essa senhora disse algo inteiramente diferente:
"Ia, inclusive, usar meu direito de ser “idiota” - como diziam os atenienses - e deixar de votar. Mas não vou me abster. Vou votar no Aécio (...)"
Como se vê, Sandra Starling está se referindo a um dos sentidos da palavra "idiota" na língua grega: algo como "aquele que cuida apenas de sua vida privada e não participa da vida pública".

Em nenhum momento ela chamou os eleitores de Dilma de "idiotas". Por que a revista distorceu a declaração de Sandra Starling a ponto de transformá-la num xingamento banal? Teria ela algum interesse em atirar um testemunho como esse, tão importante e tão ponderado, à vala comum da linguagem ordinária usada nas famosas "redes sociais"?

A revista distorceu ainda outras falas da ex-deputada, como se poderá perceber numa rápida leitura dos dois documentos, que são muito curtos. E esse é apenas um caso, ocorrido algumas horas atrás. Ao que parece, a mentira está se tornando uma doença epidêmica e fora de qualquer controle. Ai de quem não tem vocação para a pesquisa...

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